Teste RT-PCR

Teste RT-PCR

A 26 de Setembro/2020 publiquei na minha página de Facebook uma análise de alguns documentos imortantes sobre o RT-PCR

A 09/07/2020 a OMS publicou um "Scientific Brief" sobre a Transmissão do SARS-COV-2 e suas implicações na prevenção da infecção.

Ao analisar o documento, é com surpresa que se lê: "The detection of RNA using reverse transcription polymerase chain reaction (RT-PCR)-based assays is not necessarily indicative of replication- and infection-competent (viable) virus that could be transmissible and capable of causing infection.(37)" o que, traduzido diz:

A detecção do RNA usando o RT-PCR não é necessariamente indicativa de replicação - e infecção - por vírus competente (viável) que possa ser transmissível e capaz de causar infecção

A referência nº 37 é a base científica para esta afirmação.

Fui então estudar o trabalho científico nº 37, Bullard J, Dust K, Funk D, Strong JE, Alexander D, Garnett L, et al. Predicting infectious SARS-CoV-2 from diagnostic samples. Clin Infect Dis. 2020:ciaa638.

Este estudo é importantíssimo pois constitui os alicerces que nos permitem lançar luz sobre esta hipotética "2ª vaga".

Os autores pegaram em 90 amostras, todas PCR - positvas e de sintomáticos. Foram estudar o desenvolvimento de vírus em meio de cultura, relacionando os resultados com o nº de ciclos de ampliação do PCR e o tempo entre o aparecimento dos sintomas e a colheita das zaragatoas.

Das 90 amostras só 26 conseguiram desenvolver vírus (28,9%). Todas estas 26 foram colhidas entre o dia 0 e o 8º dia de sintomas. Todas estas 26 amostras foram conseguidas com um nº de ciclos de ampliação em média de 23 (ct, cycle threshold).

Portanto com um nº de ciclos baixo (o protocolo da OMS prevê 50 ciclos e, segundo informação privada (pode não ser exacta), nos nossos laboratórios públicos fazem-se 45 ciclos.

As culturas positivas têm um "ct" significativamente baixo quando comparado com as culturas negativas (p

O nº de ciclos de ampliação do PCR é importantíssimo pois a cada aumento de 1 ciclo a possibilidade de cultura de vírus diminuiu de 32% " for every one unit increase in Ct, the odds of a positive culture decreased by 32%."

O mesmo acontece com o período entre o aparecimento dos sintomas e a colheita: todas as que conseguiram desenvolver vírus foram colhidas até ao dia 8 dos sintomas.

Por cada dia a mais do 8º dia, a possibilidade de desenvolver vírus diminui de 37%.

Concluem que:

Our study showed no positive viral cultures with a Ct greater than 24 or STT greater than 8 days. The odds of a positive culture were decreased by 32% for each unit increase in Ct.

Traduzindo: Não há culturas positivas com um "cycle threshold" superior a 24 e as probabilidades de uma cultura positiva por cada unidade acima de 24 diminui de 32%".

De notar que o protocolo da OMS de Jan/2020 recomenda 50 ciclos de ampliação:

Neste mesmo documento podemos ler em relação à especificidade:

Cross-reactivity with other respiratory viruses was tested with specimens known to be positive for a panel of respiratory viruses (influenza A(H1N1)pdm09, A(H3N2), B-Victoria, B-Yamagata; influenza C;

RSV A, B; hBoV; hPIV; hMPV; HRV/enterovirus; adenovirus; hCoV (HKU1, OC43, 229E and NL63); MERS-CoV. None of the tested viruses showed reactivity with PCR2 and PCR4.

Isto não significa uma sensibilidade a 100% como apregoam. Isto só significa que não detecta "por engano" os vírus estudados para detecção de reactividade cruzada.

E os outros??? E todos os chamados "nonspecific background products"?? 

Vou dar um exemplo:

Muitas vezes, numa consulta o meu paciente referiu "Dra. as minhas análises são normais"... a esta frase eu SEMPRE respondi: "As análises que fez são normais, as que não fez, não sabe"

Data: 
26 Set, 2020
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