A Saúde em Portugal (08.12.2020)

A Saúde em Portugal (08.12.2020)

Anunciou-se, com grande alarido que 08.12.2020 foi o dia V porque foi o dia em que a primeira Vacina foi administrada no Reino Unido. Esperemos que tudo corra bem, que não existam efeitos secundários graves e que a longo termo não venhamos a lamentar outros problemas. Dentro de uns meses será possível saber quanto tempo dura a imunidade produzida pela vacina e se valeu a pena todo o investimento. Vamos ter que esperar um pouco mais antes que ela chegue a Portugal e ainda bem pois teremos tempo de analisar o efeito que produz.

Vejamos como interpreto a situação actual da Saúde no nosso País. O importante neste momento não é, a meu ver, a pandemia. Aliás, só me preocupou verdadeiramente nos primeiros 3 meses. A partir do momento em que o exame que é utilizado para rastreio foi posto em causa, a grande quantidade de positivos e assintomáticos deixou de ter o significado que o discurso oficial lhes atribui. Conhecendo como se codificam os óbitos, independentemente da causa da morte, basta o teste ser positivo para ser um óbito COVID, também o número de óbitos tem pouco significado. Esperamos a resposta da Erosurveillance à peer-review efectuada ao protocolo do teste e ao trabalho que lhe deu origem. Com este teste, basta decidirem aumentar subitamente a testagem e aparecerá a 3ª vaga. Esperemos que isso não aconteça.

O Rt já desceu abaixo de 1, esperemos que se mantenha pois aumenta a confiança e reduz o medo da população.

A quantidade de altas que se dão a cada dia é surpreendente!! A esmagadora maioria são positivos assintomáticos que "recuperavam" a domicílio e que são libertados ao 10º dia. Só hoje foram libertados 6.585 dos quais 104 estavam em hospital.

A grande variabilidade do número de hospitalizações obrigaram-me a fazer uma média móvel de 7 dias para ter uma ideia da percentagem de hospitalizações em cada 100 casos novos. É surpreendentemente baixa 0,1% (em cada 1000 novos casos, 1 necessita de hospitalização), como já o deduzíamos pela percentagem de pessoas que recuperam a domicílio. Como veem pelo gráfico, o estado actual é muito diferente do que se viveu em Março-Abril e dá-nos de imediato uma ideia do significado desta "2ª vaga". Esta média móvel merece uma explicação complementar:

Por exemplo, no dia 8-12, em 2905 novos casos o balanço das hospitalizações foi negativo, pois sairam 104, havendo um aumento em % de -3,6%; a 9-12 em 4097 novos casos foram hospitalizados 69 ou seja 1,7% porém no dia 10-12 em 3134 novos casos pode ter havido hospitalizações mas o balanço foi de novo negativo, -28 (sairam +28 do que os que entraram) ou seja -0,9% de entradas. Desde o dia 23 de Nov mantemos sempre um número de hospitalizados constante, entre 3.200 e 3.300 aproximadamente. O que eu pretendo mostrar é a estabilidade no número de hospitalizados com um aumento na média de 7 dias muito próximo de 0%. Não significa que não se hospitaliza, significa estabilidade dentro das instalações hospitalares e ausência de tendência para aumento de hospitalizações. E isto é de extrema importância na logística hospitalar.

A letalidade continua baixa, 1,6%, na sua esmagadora maioria são idosos com 80++  e 70+ mas em menor número.

O que me preocupa mais, neste momento, são os doentes NÃO-COVID. Podem ver na foto do artigo e também no "World life expectancy",

  1. a quantidade de mortes por doença coronária (mortes que ocorrem muito antes dos 70 anos), 
  2. a enorme quantidade de AVCs (stroke),  
  3. Seguem-se as Pneumonias e gripe (que neste momento "não existe", ou não é diagnosticada) e
  4. a demência + Alzheimer, característica dos muito idosos.

Estas são as 4 principais causas de morte em Portugal e provocaram 36.804 óbitos desde Janeiro até ontem mas ninguém fala disto, só os 5.122 com teste positivo contam.

Até Outubro e segundo a SIC, os Centros de Saúdes concederam menos 9 milhões de consultas "presenciais" (como se por telefone merecessem o nome de consultas). Nos Hospitais menos 2,7 Milhões de cuidados prestados, entre consultas, cirurgias e urgências.

Assim, o estado da Saúde no nosso País é realmente mau, não devido à epidemia ou pandemia ou como lhe queiram chamar mas sim à falta de assistência médica e ao medo que as pessoas têm de recorrer ao hospital, sobretudo porque se testarem positivo ficarão retidas a domicílio ou isoladas num hospital no meio de outros positivos e sem poderem ver os seus familiares.

Data: 
8 Dez, 2020
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