COVID-19 e as Crianças

COVID-19 e as Crianças

Há muita polémica sobre a COVID nas crianças! As crianças têm geralmente uma doença muito mais ligeira que os adultos e a morte por COVID na criança é extremamente rara.

O grande problema é saber se as crianças são transmissoras assintomáticas pois o funcionamento das escolas levanta problemas. Ora bem, qualquer pessoa pode ser transmissora assintomática do vírus nas 24 a 48h que precedem o aparecimento dos sintomas e as crianças não são excepção. Há quem diga que transportam maior carga viral, há quem diga o contrário. Uma revisão exaustiva das publicações permite um pouco de luz sobre esta matéria

Neste tipo de trabalhos faz-se uma compilação de todos os possíveis estudos a nível mundial, analisando-os um por um, procurando evidências da suspeita que temos

Neste trabalho foi feita uma revisão de 700 documentos, cartas e textos completos. As crianças têm menos sintomas como espirros e tosse pelo que tornam o contágio mais difícil. 

Real‐world evidence points towards a limited spread of COVID‐19 between children and from children

o que significa "a nível mundial as provas indicam uma fraca contagiosidade entre as crianças e a partir das crianças".

Em alguns trabalhos foi estudada a carga viral na criança e provaram que as crianças apresentam uma carga viral mais baixa. Esta baixa carga viral pode mesmo ser muito útil pois permite que os adultos contactem com o vírus, criem anticorpos e não desenvolvam doença significativa.

As crianças têm formas clínicas muitos mais ligeiras, cargas víricas menores e contagiam menos que os adultos

Aqui procuraram em 1099 artigos de 1 de Dezembro a 28 de Maio de 2020, as características da transmissão na criança: A esmagadora maioria das crianças é infectada na sua própria família e não na escola. Num estudo holandês não encontrou nenhuma criança com menos de 12 anos que fosse a 1ª num surto familiar. Por outro lado, as crianças têm as mesmas probabilidades de seram assintomáticas que os adultos e mais uma vez, são contagiadas no núcleo familiar e concluem que

As crianças NÃO são mais transmissores de vírus que os adultos

Porém, na minha perspectiva, qualquer criança mesmo em idade pré-escolar que esteja numa família onde há um caso comprovado CLINICAMENTE e LABORATORIALMENTE de COVID-19, mesmo que não seja grave, deve obedecer às regras impostas aos adultos e ficar em casa. Apesar de as crianças não apresentarem sintomas ou terem sintomas ligeiros, a convivência num ambiente familiar com um doente, faz dessa criança um transmissor. Isto não é só para a COVID-19. É válido para a gripe e outras doenças infecto-contagiosas. E estas são considerações que deveriam ser tidas em conta muito seriamente. 

Data: 
23 Nov, 2020
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